10 de setembro de 2018
11 de março de 2018
REVOLUÇÃO DE PALAVRAS
a solidão da noite
Verticalmente sombria
A despedaçada boa vontade de amar sem amor
Ao balanço da dor
O tempo certo do incerto momento
Uma palavra que se engole amarga
No cerne imperceptível duma paixão
Porque estando em êxtase o homem infeliz
Na chama das palavras tudo pode explodir
Num cais de esperas também se podem partir
A sorrir ou chorar indolente
O sol sorri na praia
De encontra o vento a onda desmaia
Se alguém reclama em sussurro
No vazio da voz que esbarra no muro
Uma criança que chora não pensa
Por tudo isso envolve uma crença
Sinto nos poros da dor a saudade
Não espero sentimentos de liberdade
Voarei no voo da uma gaivota
Devorando os ventos dessa rota
Risco o mundo com lápis de carvão
Deixo a esperança morrer no coração
No meu desespero não vi a escuridão
De pés descalços vagueio pelo chão
Suporto a esta mágoa desfeita
E na clareira uma flor se deleita
Nos raios de sol onde o amor se deita
Neste labirinto de palavras composto de silabas
Estou sufocada de tanto alarido
Agarro o cansaço que vive comigo
Rasguei o caderno deitei fora o lápis
Levanto as amarras e sigo viagem
Para escrever mais falta-me a coragem
Nesta miscelânea de palavras loucas
Calaram-se as vozes fecharam-se as bocas
Perdi a razão da minha memória
Já não quero mais acabou-se a história.
nina
BRISA
Corre de mansinho a brisa
fresca
Sobre o meu corpo já cansado
Na escura noite que vem
chegando
Revejo o teu rosto
iluminado.
Daqui deste lugar de olhos
fechados vejo
Uma sombra que passa não
sei se é tua
Ergo o meu corpo, mas não
alcanço
A visão que aos poucos se
esvai na rua.
A brisa tão leve já se
afastou
Um novo dia eu quero ver
Escondeu-se a lua, ou não
chegou
Virá o sol para me aquecer.
31 de dezembro de 2017
LABIRINTOS
Num
beco escuro quis ver o futuro
Desenhei
sonhos desenhei saudades
Virtudes
e maldades.
Uma
gaivota perdida, perdeu o norte porque está ferida,
Um
sonhador sem amor a sofrer… um cego a ver, desenhei
Almas,
espíritos, uivos aflitos.
Uma
efémera que perdeu o rumo, um cigarro a desfazer-se
Em
fumo… desenhei com traços de dor uma tela que me fala de amor,
Numa
viela sem candeeiros ouvi o pregão dos águadeiros, dos carvoeiros,
Das
vendedeiras de limões escutei o fado e escrevi canções, para que nunca
Me
esqueçam as recordações.
Desenhei
céus pintei aviões, festas, foguetes e foguetões desenhei janelas
Portas
e degraus.
Malandros
sentados a fumar cigarros… e o fumo a subir a noite a cair
Na
viela da vida está uma alma perdida, a vender o corpo por vinte
patacas
Há
luz de uma vela cerraram as portas abrem-se as janelas
Já
não estou seguro vou saltar o muro, agarro o nevoeiro nas
manhãs serenas
E
as aves paradas já quase sem penas.
Vou
sobreviver apenas para ver crescer, uma rosa branca que teima em nascer,
Por
dentro das pedras que a querem prender, mas com muita força ela
irá vencer,
A
luz a brilhar, o vento a soprar a chuva a cair tenho que partir
Ainda escuto as vozes
dizer baixinho, toma tento nunca te deixes
Vencer.
Num
beco pequeno… numa ruela escura, acordo dum sonho no meio da noite
Será
que foi sonho?
Ou
foi pesadelo!
Já
não quero dormir… porque tenho
Medo
de voltar a velo.
Nina
Nina
11 de dezembro de 2017
JANELA DO MEU PEITO
Tenho apenas uma janela
Na parede do meu quarto
O que vejo através dela
Faz lembrar uma aguarela
Do mundo em que me reparto.
Vejo o sol pela manhã
Que dura até ao meio-dia
Vejo gaivotas voando
Dizendo que o mar está bravo
Gritando em agonia.
Quando a noite vem chegando
O céu vai perdendo a cor
Vejo estrelas a brilhar
E a lua se vem chegando
Para com elas brincar.
Pela porta entra o espanto
Para me querer assustar
Com ele trás a saudade
Da triste realidade
E a vontade de te amar.
Nina
5 de novembro de 2017
CALAI-VOS Ó VENTO
Calai-vos ó vento norte
Deixai as aves passar
As aves voam para o sul
E os rios correm para o mar.
Quando sigo o meu caminho
Me sinto a levitar
Por vezes sopras mansinho
E outras me vens derrubar.
Quando eu sei que vem chegando
O dia da minha morte
Será que vem numa ave
Calai-vos ó vento norte.
Se eu pudesse eu pintaria
As noites todas de azul
Para que as aves de dia
Voassem todas para o sul.
Sempre quando escuto o vento
Me lembra um cão a uivar
As aves correm para o sul
E os rios correm para o mar.
20 de outubro de 2017
VEM DAÍ ANDA COMIGO
Tens o
mundo em tuas mãos
E o ar que
nele flutua
Tens o céu
e as estrela
E tens a
mim que sou tua.
Desliga a
luz do luar
E segura a
minha mão
Vem comigo
navegar
Neste mar
de imensidão.
Não te
afogues na tristeza
E vive com
alegria
A noite só
tem beleza
Quando é
chegado o dia.
A cor que
tens em teus olhos
Reflectem tanta esperança
Tem o
brilho das estrelas
Como quando
eras criança.
Vem comigo
povoar
As noites
de solidão
Em nome
daquele amor
Que guardas
no coração.
Nina
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