31 de dezembro de 2017

LABIRINTOS



 

Num beco escuro quis ver o futuro 
Desenhei sonhos desenhei saudades 
Virtudes e maldades. 
Uma gaivota perdida, perdeu o norte porque está ferida, 
Um sonhador sem amor a sofrer… um cego a ver, desenhei 
Almas, espíritos, uivos aflitos. 
Uma efémera que perdeu o rumo, um cigarro a desfazer-se  
Em fumo… desenhei com traços de dor uma tela que me fala de amor, 
Numa viela sem candeeiros ouvi o pregão dos águadeiros, dos carvoeiros, 
Das vendedeiras de limões escutei o fado e escrevi canções, para que nunca 
Me esqueçam as recordações. 
Desenhei céus pintei aviões, festas, foguetes e foguetões desenhei janelas 
Portas e degraus. 
Malandros sentados a fumar cigarros… e o fumo a subir a noite a cair 
Na viela da vida está uma alma perdida, a vender o corpo por vinte patacas 
Há luz de uma vela cerraram as portas abrem-se as janelas 
Já não estou seguro vou saltar o muro, agarro o nevoeiro nas manhãs serenas 
E as aves paradas já quase sem penas. 
Vou sobreviver apenas para ver crescer, uma rosa branca que teima em nascer, 
Por dentro das pedras que a querem prender, mas com muita força ela irá vencer, 
A luz a brilhar, o vento a soprar a chuva a cair tenho que partir 
Ainda escuto as vozes dizer baixinho, toma tento nunca te deixes 
Vencer. 
Num beco pequeno… numa ruela escura, acordo dum sonho no meio da noite 
Será que foi sonho? 
Ou foi pesadelo! 
Já não quero dormir… porque tenho 
Medo de voltar a velo. 

Nina

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