11 de março de 2018

REVOLUÇÃO DE PALAVRAS



a solidão da noite
Verticalmente sombria
A despedaçada boa vontade de amar sem amor
Ao balanço da dor
O tempo certo do incerto momento
Uma palavra que se engole amarga
No cerne imperceptível duma paixão
Porque estando em êxtase o homem infeliz
Na chama das palavras tudo pode explodir
Num cais de esperas também se podem partir
A sorrir ou chorar indolente
O sol sorri na praia
De encontra o vento a onda desmaia
Se alguém reclama em sussurro
No vazio da voz que esbarra no muro
Uma criança que chora não pensa
Por tudo isso envolve uma crença
Sinto nos poros da dor a saudade
Não espero sentimentos de liberdade
Voarei no voo da uma gaivota
Devorando os ventos dessa rota
Risco o mundo com lápis de carvão
Deixo a esperança morrer no coração
No meu desespero não vi a escuridão
De pés descalços vagueio pelo chão
Suporto a esta mágoa desfeita
E na clareira uma flor se deleita
Nos raios de sol onde o amor se deita
Neste labirinto de palavras composto de silabas 
Estou sufocada de tanto alarido
Agarro o cansaço que vive comigo
Rasguei o caderno deitei fora o lápis
Levanto as amarras e sigo viagem
Para escrever mais falta-me a coragem
Nesta miscelânea de palavras loucas
Calaram-se as vozes fecharam-se as bocas
Perdi a razão da minha memória
Já não quero mais acabou-se a história.

nina

BRISA


Corre de mansinho a brisa fresca
Sobre o meu corpo já cansado
Na escura noite que vem chegando
Revejo o teu rosto iluminado.

Daqui deste lugar de olhos fechados vejo
Uma sombra que passa não sei se é tua
Ergo o meu corpo mas não alcanço
A visão que aos poucos se esvai na rua.

A brisa tão leve já se afastou
Um novo dia eu quero ver
Escondeu-se a lua, ou não chegou
   Virá o sol para me aquecer.

31 de dezembro de 2017

LABIRINTOS



 

Num beco escuro quis ver o futuro 
Desenhei sonhos desenhei saudades 
Virtudes e maldades. 
Uma gaivota perdida, perdeu o norte porque está ferida, 
Um sonhador sem amor a sofrer… um cego a ver, desenhei 
Almas, espíritos, uivos aflitos. 
Uma efémera que perdeu o rumo, um cigarro a desfazer-se  
Em fumo… desenhei com traços de dor uma tela que me fala de amor, 
Numa viela sem candeeiros ouvi o pregão dos águadeiros, dos carvoeiros, 
Das vendedeiras de limões escutei o fado e escrevi canções, para que nunca 
Me esqueçam as recordações. 
Desenhei céus pintei aviões, festas, foguetes e foguetões desenhei janelas 
Portas e degraus. 
Malandros sentados a fumar cigarros… e o fumo a subir a noite a cair 
Na viela da vida está uma alma perdida, a vender o corpo por vinte patacas 
Há luz de uma vela cerraram as portas abrem-se as janelas 
Já não estou seguro vou saltar o muro, agarro o nevoeiro nas manhãs serenas 
E as aves paradas já quase sem penas. 
Vou sobreviver apenas para ver crescer, uma rosa branca que teima em nascer, 
Por dentro das pedras que a querem prender, mas com muita força ela irá vencer, 
A luz a brilhar, o vento a soprar a chuva a cair tenho que partir 
Ainda escuto as vozes dizer baixinho, toma tento nunca te deixes 
Vencer. 
Num beco pequeno… numa ruela escura, acordo dum sonho no meio da noite 
Será que foi sonho? 
Ou foi pesadelo! 
Já não quero dormir… porque tenho 
Medo de voltar a velo. 

Nina

11 de dezembro de 2017

JANELA DO MEU PEITO




Tenho apenas uma janela
Na parede do meu quarto
O que vejo através dela
Faz lembrar uma aguarela
Do mundo em que me reparto.

Vejo o sol pela manhã
Que dura até ao meio-dia
Vejo gaivotas voando
Dizendo que o mar está bravo
Gritando em agonia.

Quando a noite vem chegando
O céu vai perdendo a cor
Vejo estrelas a brilhar
E a lua se vem chegando
Para com elas brincar.

Pela porta entra o espanto
Para me querer assustar
Com ele trás a saudade
Da triste realidade
E a vontade de te amar.

Nina

5 de novembro de 2017

CALAI-VOS Ó VENTO



Calai-vos ó vento norte
Deixai as aves passar
As aves voam para o sul
E os rios correm para o mar.

Quando sigo o meu caminho
Me sinto a levitar
Por vezes sopras mansinho
E outras me vens derrubar.

Quando eu sei que vem chegando
O dia da minha morte
Será que vem numa ave
Calai-vos ó vento norte.
  
Se eu pudesse eu pintaria
As noites todas de azul
Para que as aves de dia
Voassem todas para o sul.

Sempre quando escuto o vento
Me lembra um cão a uivar 
As aves correm para o sul
E os rios correm para o mar.


                                                     

20 de outubro de 2017

VEM DAÍ ANDA COMIGO



Tens o mundo em tuas mãos
E o ar que nele flutua
Tens o céu e as estrela
E tens a mim que sou tua.

Desliga a luz do luar
E segura a minha mão
Vem comigo navegar
Neste mar de imensidão.

Não te afogues na tristeza
E vive com alegria
A noite só tem beleza
Quando é chegado o dia.

A cor que tens em teus olhos
Reflectem tanta esperança
Tem o brilho das estrelas
Como quando eras criança.

Vem comigo povoar
As noites de solidão
Em nome daquele amor
Que guardas no coração.

Nina