quarta-feira, 25 de maio de 2016

NÃO QUERO



Não tenho pressa nenhuma
Que esta noite chegue ao fim
Não quero que a luz do sol
Me veja chorar por ti.

Não quero sentir o vento
Pelo meu corpo a passar
Nem quero que a dona bruma
Me veja por ti chorar.

Dor cruel dor intensa
Que tanto me faz sofrer
É tão forte esta saudade
Que até me chega a doer.

Meu coração ansioso
Porque padeces assim
Na minha cama de espuma
As ondas riem de mim.

Mudar a minha rotina
Só para contigo estar
Não quero que a lua cheia
Meus olhos veja chorar.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Coroa de espinhos



Meu amor feito de lágrimas
Não era para ser assim
Vou saboreando o amargo
Do melhor que havia em mim.

Os dias passam tão tristes
Parecem querer dizer
Alguém um dia me disse
Porque te deixas prender.

Quanto dói uma saudade
Saída do coração
Pensar que um dia ela passe!
É miragem ou ilusão.

Como gotas de cristal
Vão caindo lentamente
É como coroa de espinhos
Que carrego para sempre.



sábado, 14 de maio de 2016

Conversa entre flores

Levantei-me bem cedinho
Porque ouvia murmurar
Eram as minhas flores
Que estavam a conversar.

Dizia o belo antúrio
Olha bem minha beleza
Logo responde a avenca
O que tu tens é esperteza.

Olhando bem para o alto
Respondeu-lhe o incesso
Como eu tenho utilidade
Sirvo para perfumar
E tenho menos vaidade.

Os catos tão pequeninos
Calem-se todos com isso
Olhem bem para os meus picos
Que mais pareço um ouriço.

Com um grito estridente
Respondem as belas orquídeas
Nós enfeitamos a casa à dona
Lhes damos muita alegria
E dela somos amigas.

Com todo o nosso valor
Pois somos muito felizes
Sempre lhe damos flor
Recebemos o carinho
E todo o seu amor.


Eu não podia intervir
Porque estragava a conversa
Mas quando dali sai
Deixei a minha promessa
 Dedicar-me a todas elas
Com a mesma igualdade
Pois todas me fazem feliz
Eu as amo de verdade.

domingo, 8 de maio de 2016

Os quatro ventos

Calai-vos ó vento norte
Deixai as aves passar
As aves voam pró sul
E os rios correm pro mar.

Quando eu sei que vem chegando
O dia da minha morte
Será que vem numa ave
Calai-vos ó vento norte.

Quando sigo o meu caminho
Sinto que vou levitar
Calai-vos, os quatro ventos
Deixai as aves passar.

Se eu podera pintaria
As noites todas de azul
Para que as aves de dia
Corressem todo pró sul.

Sempre quando escuto o vento
Me parece um cão a uivar 
As aves correm pró sul
E os rios correm pró mar.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

***Lembranças de um dia triste***


Vida vivida, vida sofrida,
tanto sofrer, tanta amargura
me vem há mente
os olhos teus...
quando um dia dizias adeus  fiquei pasmada
com os meus olhos rasos de lágrimas.
Que aos poucos tentava prender em longos soluços
meu corpo tremia, minhas mãos regelavam,
porque ao ver-te virar a esquina sabia 
que jamais voltavas.
O tempo passou e por lá ficou
Tenho a certeza que de mim jamais 
te lembrou
a minha vida presa ficou
naquele olhar que de mim se afastou.
Hoje quando revejo aquela esquina ainda 
escuto os passos que mais parece sombra,
ao fim da tarde, fugindo por entre as ramagens das árvores.


sexta-feira, 29 de abril de 2016

JAMAIS ME CANSAREI



Sopra um vento suave na tarde que finda
vem chegando a noite envolta em seu manto
o sol se escondeu por entre as ramagens
finda-se o sossego gemendo num pranto.

As folhas das árvores nem se vê bolir
a brisa sorri, sorri como louca 
no teu corpo ardente brilha a lua cheia
tão cheia que cola a...tua em minha boca

As águas que correm de noite e de dia
e nunca se cansam de tanto correr
também não me canso de correr para ti
só me cansarei depois de morrer.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

ABADONO



Abandono…

Cai a noite gloriosa finda o dia…
Ouvem-se os gemidos das corujas, empoleiradas
Nas casas abandonadas.

Revelam-se ao abandono de quem partiu, sabe DEUS para onde!
Partiram e já não voltam…por lá ficaram.

Por lá construíram seus abrigos…

Esqueceram de todos os que ficaram…alguns voltam todos os anos
Outros não voltam mais.
Esqueceram a Pátria que os viu nascer, conquistaram outra nova
Vão lutando por ela, para a defender dos maus intrusos.

Lá longe, bem longe… os velhos vão esperando ver o dia nascer de novo
Alguns vêem outros não.
Assim é a roda que gira e nós seguimos, mas nunca a conseguimos apanhar

Nesta roda gira o dia que em breve se faz noite…e as corujas lá vão ficando
E só deixam as velhas paredes, das casas abandonadas.
Quando também elas findam…quando finda o dia que em…e em breve se faz noite!